(IN)FOrmalidades

segunda-feira, junho 12

Freguesia de Barcelos tem novo Centro Paroquial



A comunidade da Ucha (S. Romão) tem a partir de domingo passado um novo centro paroquial em substituição do velho salão que foi edificado na década de quarenta pelos movimentos católicos de então, e dedicado essencialmente à prática do teatro.
Em 2001 a paroquia de Barcelos decidiu avançar para a construção de raiz de um novo edifício, que não só substituísse o antigo como lhe pudesse acrescentar novas valências para além das actividades culturais que aí se realizavam a título precário. É assim que a par da criação de melhores condições de trabalho para o movimento associativo da Ucha, constituído pelo Grupo de Teatro, Coral e Escuteiros, foram construídas novas salas para o ensino da catequese.
O complexo, organizado arquitectonicamente em dois módulos ligados por uma área de acesso comum, dispõe ainda de zonas de apoio às actividades culturais, como salas de reunião, camarins, sanitários e bar, e de um amplo logradouro que ocupa quase toda a superfície do passal. Trata-se de um centro paroquial de linhas modernas, com um jogo muito bonito de materiais, à base de pedra e madeira, com muita luminosidade e leveza e muito bem enquadrado no espaço envolvente. O auditório está igualmente bem dimensionado, dispondo de um palco amplo e de uma plateia de 144 lugares, mas cuja lotação pode subir até perto de duas centenas de pessoas, graças às coxias desafogadas.
Foi este espaço, que ocupa mais de 500 metros e que custou mais de 300 mil euros, que o povo da Ucha inaugurou no passado dia 11 de Junho com pompa e circunstância, 27 meses depois de iniciada a obra. Presidiu à cerimónia de inauguração o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que, depois de benzer as instalações, explanou as formas que a sustentação do clero adquiriu ao longo do tempo, para, a terminar, formular votos de que o novo Centro seja aproveitado pela paróquia e pela comunidade para o seu progresso espiritual e cultural.
O pároco da Ucha, Júlio Loureiro, principal mentor do projecto, historiou todo o processo da edificação, bem acompanhado pelo secretário do Conselho Económico Paroquial, António Ferraz, os quais nas suas intervenções não se esqueceram de expressar agradecimentos ao anterior presidente da Junta de Freguesia, Júlio Faria, recentemente falecido, por todo o apoio que dispensou aos titulares da obra, ao povo da Ucha, que foi muito generoso nas suas contribuições, quer em trabalho quer em dinheiro, e ainda à Câmara e ao Estado português pelos subsídios financeiros atribuídos.
A terminar a sessão solene, que foi abrilhantada pelo grupo de escuteiros local, o Coral da Ucha realizou um pequeno concerto para cerca de duzentas pessoas, coroado com o hino a S. Romão, padroeiro daquela que é a freguesia mais oriental do concelho. Como convidados do Conselho Económico Paroquial estiveram presentes Félix Falcão, em representação do presidente da Câmara Municipal de Barcelos, que usou da palavra para se congratular com o melhoramento, que considerou importante não só para a Ucha como para o próprio concelho, o presidente da Assembleia Municipal, Costa Araújo, o presidente da Junta de Freguesia, Júlio Arménio Silva, e a presidente da Assembleia de Freguesia, Maribel Loureiro.

domingo, junho 11

Economia nacional cresceu 1% graças às exportações

O Produto Interno Bruto cresceu 1% no primeiro trimestre de 2006 comparativamente ao mesmo período do ano transacto. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam as exportações como as principais responsáveis deste incremento.
Para esta situação contribuíram as vendas para o mercado externo, que subiram 7,2 %, mas também o consumo privado.
Por sua vez, as importações aumentaram 3 %, impelidas pelos produtos químicos e metálicos e aparelhos de rádio, televisão e comunicações. A arquitectura, engenharia e consultoria técnica foram, entre os serviços portugueses, os que mais procura tiveram do exterior.
Os resultados apresentados importam não pelo crescimento em si, mas porque o crescimento tem como base uma forma saudável e consistente, uma vez que se deve essencialmente às exportações e não ao consumo das famílias, que no ano passado se apoiou no endividamento.
Apesar de ter melhorado em comparação com o último trimestre de 2005, o investimento manteve-se em queda, relativamente aos primeiros três meses, desceu 2,7%.
Aquando da divulgação da informação, o INE apontou, no entanto, que este crescimento poderá ter sido influenciado pelo facto de o primeiro trimestre de 2006 ter mais dois dias úteis que o de 2005.

Fontes:

sábado, junho 10

Saúde mais barata a partir de 2007


A partir de Março de 2007 os medicamentos serão mais baratos. O desconto será aplicado em anti-inflamatórios, antibióticos e outros fármacos.
A dedução no preço, anunciada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e pelo ministro da Saúde, Correio de Campos, abrangerá os remédios vendidos mediante receita médica, aos quais será estipulado um custo máximo. Por sua vez, os de venda livre não terão um preço fixo.
O valor dos medicamentos ainda não está estabelecido. Para o efeito será "preciso encontrar um sistema que defina os valores a aplicar, porque as comparticipações do Estado não podem ter variações consoante a aplicação de descontos ou redução dos preços”, declarou fonte do Ministério da Saúde ao Correio da Manhã.
Para os especialistas esta medida beneficiará o doente.
O antigo secretário de Estado da Saúde, actualmente na direcção do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, Constantino Sakellarides, fala da necessidade de uma fiscalização rigorosa. Nas suas palavras, “é preciso uma grande regulamentação no sector para que haja efectivamente reduções no preço dos medicamentos”. “Caso contrário, assistir-se-á a uma reestruturação do mercado que vai provocar um aumento de preços”, acrescentou.


sexta-feira, junho 9

Iraque: restrições ao tráfego automóvel e recolher obrigatório

O tráfego automóvel foi proibido, hoje, em Bagdad e Baaquba. O recolher obrigatório na província de Diala foi, igualmente, decretado pelo primeiro-ministro iraquiano, Nuri Al Maliki. Estas diligências visam reforçar a segurança durante o dia santo muçulmano.
Em comunicado, difundido pela televisão pública iraquiana Al Iraquiya, Maliki declarou que “fica proibido o tráfego [automóvel] em Bagdad e Baaquba desde as 11h00 (08h00) até às 15h00 (12h00)”. O recolher obrigatório entre as 20h00 (17h00) até às 06h00 (03h00 foi imposto em Diala, onde o líder da Al Qaeda no Iraque, Abu Musab Al-Zarqawi, foi morto. De acordo com o mesmo órgão de comunicação, esta medida permanecerá em vigor até nova ordem.
Estas restrições pretendem incrementar a segurança ao longo de sexta-feira, face à possibilidade de atentados dos terroristas da Al Qaeda no Iraque para vingar a morte do seu líder.
A notícia da morte de Zarqawi e de sete dos seus colaboradores, num ataque aéreo, foi recebida com entusiasmo pelo Exército americano e por vários iraquianos. O líder terrorista estava acusado dos mais graves atentados empreendidos desde a invasão do país árabe pelos Estados Unidos.
Para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, este acontecimento é “um duro golpe para a Al-Qaeda e uma importante vitória (dos EUA) na guerra ao terrorismo”. No entanto, nega a possibilidade de a morte de Zarqawi incitar à redução da violência no Iraque. Em declarações na Casa Branca, Bush disse, ainda, terem “pela frente dias difíceis no Iraque, o que exigirá mais paciência do povo americano”.

Fontes:
Correio do Estado
Diário Digital




quarta-feira, junho 7

Fábrica arde em Nelas

Ardeu esta manhã uma fábrica de tecidos para automóveis em Nelas. O incêndio, que deflagrou por voltas das 10h00, obrigou ao corte da Estrada Nacional 234 e da Linha do Norte. No combate às chamas cinco bombeiros ficaram feridos.
O fogo na Borgstena – Têxtil Portugal Lda começou num armazém de espuma, alastrando-se rapidamente a outras áreas dessa indústria devido à existência de materiais altamente inflamáveis. Ao início da tarde cerca de 80 por cento das instalações já haviam ruído, escapando somente uma parte dos escritórios.
De acordo com um membro dos Voluntários de Nelas, João Coelho, dois bombeiros inalaram fumos e três ligeiramente feridos, devido à queda de uma fachada da unidade fabril.
Por volta das 19h00, o comandante dos Bombeiros de Nelas deu o fogo como circunscrito, referindo a existência de dois focos que necessitavam de prevenção.
Para ajudar no combate ao fogo, levado a cabo por cerca de 130 bombeiros, a autarquia da localidade enviou máquinas para a zona.
As causas do incidente são desconhecidas, apesar da suspeita residir numa faísca libertada por um dos trabalhadores de soldagem, que desempenhava funções nas obras de expansão do empreendimento.

Cerca de 10 milhões de euros de prejuízo em equipamentos e instalações
De acordo com o administrador da firma, Jorge Machado, “o prejuízo em termos de stocks deverá rondar os cinco a seis milhões de euros e em equipamentos e instalações 10 milhões de euros”. O prazo para a reconstrução da fábrica, que poderá demorar entre nove meses a um ano, será discutido numa reunião com a seguradora e accionistas da empresa. A entidade que emprega cerca de 200 trabalhadores seleccionou 50 responsáveis por transferir o trabalho para “subcontratantes ou parceiros”, referiu o mesmo responsável. Em parceria com a Associação Empresarial da Região de Viseu serão montados, a partir de amanhã, os escritórios provisórios para essas funções.
Ao mesmo tempo, a administração pretende segurar os restantes funcionários através do regime de lay-off, que permite a suspensão do contrato por motivos referentes ao trabalhador ou à entidade empregadora, bem como a redução temporária das horas de serviço.
Jorge Machado adiantou, igualmente, que “ficou marcada uma reunião para segunda-feira para comunicar aos trabalhadores algo já mais concreto” uma vez que ainda não tiveram tempo para reunir toda a informação necessária.

Fontes:

sábado, junho 3

Segundo Sócrates, Cavaco concorda com princípio da Lei da Paridade

O Primeiro-Ministro José Sócrates mostrou-se hoje satisfeito, relativamente à concordância do Presidente da Republica com o princípio da Lei da Paridade. A criação de condições para a participação das mulheres na vida política é uma das linhas mestras desta alteração, proposta na Assembleia da República.
O chefe do executivo afirmou compreender a tomada de posição de Cavaco Silva. "Verifico que o Presidente da República (PR) está de acordo em reconhecer esse problema e que há uma obrigação constitucional de fazer alguma coisa para promover essa inclusão das mulheres na vida política”, acrescentando que se trata de estabelecer a igualdade de direitos das mulheres.
Apesar do veto político de Cavaco Silva dado à Lei da Paridade, o secretário-geral do partido socialista não vê este acto como uma oposição de fundo, restritiva à sua implementação. A lei não foi aprovada pelo PR devido a dúvidas relacionadas com “carácter excessivo” das sanções que seriam aplicadas às listas que não cumprissem as quotas.
O diploma vetado pelo PR instituía a "representação mínima de 33,3 por cento de cada um dos sexos nas listas" para as eleições legislativas, autárquicas e europeias. As listas que não respeitarem esta imposição “serão rejeitadas”. Para os órgãos de regulação das freguesias com 500 ou menos eleitores, bem como para os órgãos dos municípios com 5 mil ou menos eleitores, as listas não ficam subordinadas a esta imposição, ou seja, não têm de cumprir a quota de um terço de elementos de ambos os sexos.
De acordo com os princípios da Lei da Paridade, as listas não podem ter mais de dois candidatos do mesmo sexo em eleições consecutivas.
A concordância relativamente a este assunto passa por encontrar uma solução que salvaguarde o princípio base da lei, isto é, a igualdade entre sexos no panorama político português. “Acho que a Assembleia da República poderá encontrar certamente soluções que respondam a essas objecções, mas que garantam o princípio da lei. E isso é que é importante", declarou José Sócrates.
A presença de um terço de cada género nas listas eleitorais parece ser um factor que, na voz do Primeiro-Ministro, se sobrepõe nesta lei, que foi aprovada no Parlamento pelo Partido Socialista PS e pelo Bloco de Esquerda, no passado dia 20 de Abril, com a oposição do PSD, PCP, CDS-PP, e PEV (Partido Ecologista "Os Verdes").

quarta-feira, maio 31

Iraque: o conflito mais mortífero para os media


A morte de um câmera man e um operador de áudio da rede CBS elevou para 71 o número de profissionais da comunicação social mortos no Iraque, desde 2003, segundo a “Freedom Fórum”, uma organização não-governamental (ONG).

A guerra do Iraque já custou mais vidas aos jornalistas do que os conflitos do Vietname ou a II Guerra Mundial, nos quais morreram 17 e 69 jornalistas, respectivamente.
Para além das 71 mortes contabilizadas, morreram ainda 26 pessoas no apoio directo a elementos dos media, segundo a ONG “Comité para proteger Jornalistas” e pelo menos 40 jornalistas já foram raptados desde o inicio da guerra, avança a ONG “Repórteres Sem Fronteiras”.
Em comunicado emitido ontem, a organização “Repórteres Sem Fronteiras” afirmou-se cada vez mais preocupada com a falta de segurança para os media realizarem o seu trabalho.

Fonte:
Rede Globo

terça-feira, maio 23

Hingis vence primeiro torneio após o regresso


A tenista Martina Hingis alcançou, no passado domingo, o seu primeiro triunfo num torneio, desde o seu regresso à competição. A vitória foi obtida em Roma frente à russa Dinara Safina.
Desde 2002, altura em que conquistou o troféu em Tóquio, que a suíça não alcançava nenhum título da WTA. Na final a tenista bateu a russa Dinara Safina, 16ª cabeça-de-série do torneio, pelos parciais 6-2 7-5. Pelo caminho ficaram outras quatro pré-designadas, entre as quais a italiana Flavia Pennetta e a norte-americana Venus Williams.
Com este triunfo a jogadora, ex-número um do mundo, aproximou-se ainda mais de uma possível entrada nas dez melhores do mundo, situando-se agora no 14º lugar do ranking WTA.
A uma semana do início do torneio de Roland Garros, pertenente à categoria de “Grand Slam”, Martina Hingis apresenta-se como uma das grandes favoritas à vitória, num torneio em que já esteve presente por duas vezes na final.


Fontes:

Eurosport
Record

segunda-feira, maio 22

Movimento AGIR convoca conferência de imprensa

O autodenominado Movimento Agrupamento Intervenção e Resposta (AGIR) convocaram, para o dia 8 de Maio, uma conferência de imprensa. Simultaneamente, tinha lugar uma sessão de debate sobre o Processo de Bolonha organizada pelo Gabinete de Apoio à Qualidade de Ensino da Universidade do Minho.
Os alunos do 4º ano de Matemática e Ciências da Computação e de Sociologia, Pedro Machado e Marco Gaspar, disseram que esta iniciativa é uma forma para mostrar que há uma “luta contra Bolonha”, que classificam como “uma falta de democracia”, pela “elitização do Ensino Superior com as propinas diferenciadas no segundo ciclo”. Os representantes da acção falam da necessidade de mais informação e da organização de debates. Contudo, afirmam que a sessão do dia organizada pela reitoria não foi suficientemente divulgada.
Questionados sobre as acções de formação de delegados, organizadas pela AAUM, ambos dizem que a “informação pode ficar barrada” nesses elementos de turma.
Os mesmos estudantes aproveitaram a ocasião para, uma vez mais, referirem que há uma tentativa de “silenciamento dos alunos”, salientando o episódio em que foram impedidos de se reunirem com outros membros da academia porque os funcionários não disponibilizavam salas, seguindo “ordens do presidente de Mesa da Reunião Geral de Alunos” (RGA).
No seguimento destas denúncias, publicadas a 9 de Maio no Jornal de Notícias, o presidente de Mesa da RGA da Associação Académica da UM, Pedro Morgado disse, em comunicado, que não pode ignorar “tais acusações” pelo que “a Mesa da RGA entende ser seu dever accionar os meios legais que entender convenientes para que, nos órgãos associativos, universitários e civis, seja reposta a verdade”.

“O Mau-trato Infantil na Comunicação Social em Portugal”
Justiça é o tema em que a criança mais aparece

Os telejornais das 20h00, dos três canais generalistas portugueses, dedicam 10% do seu tempo total a temas relacionados com as crianças, com especial relevo para temas da área da justiça. Essas são algumas das conclusões retiradas do estudo “O Mau-trato Infantil na Comunicação Social em Portugal: as notícias sobre crianças na imprensa e na televisão no último trimestre de 2005”, consumado por membros do Instituto de Estudos da Criança (IEC) da Universidade do Minho, Sara Pereira e Paula Cristina Martins.
O primeiro relatório da observação, apresentado no passado dia 12 de Maio nas instalações do referido instituto, revela, igualmente, que entre 15 de Outubro e 15 de Dezembro de 2005, o telejornal de horário nobre da RTP dedicou, em média 5,5 minutos a notícias em que a criança é protagonista. O canal que mais tempo destinou a esses assunto foi a SIC, com uma média de 9 minutos, contra os 7,6 da TVI. Um outro facto registado foi o de os dois canais privados realizarem reportagens e períodos destinados a comentadores e especialistas, enquanto a RTP se centra na actualidade.
A seguir à justiça, com destaque para a “Casa Pia” e o caso “Joana”, os temas mais expressivos foram o da segurança, saúde e alimentação. Porém, no âmbito das notícias sobre crimes, as informações sobre maus-tratos representam uma pequena percentagem.
A selecção das notícias, cujos critérios se baseavam no protagonismo das crianças, no seu envolvimento com outros numa situação ou na afectação das suas vidas por políticas, medidas e iniciativas, mostrou que não é dado destaque noticioso a temas relacionados com a família. Outros dados demonstram que a criança/jovem vitimizadora pouco aparece, sendo realçadas em caso de serem a vítima ou objecto de protecção.
Os dados finais deste estudo serão apresentados em Julho do corrente ano, com ênfase para outros meios de comunicação, para além da televisão.

O papel dos jornalistas no processo de mediatização

Neste processo de mediatização, o jornalista tem um papel primordial. Este assunto, que segundo a docente do IEC, Sara Pereira, interessaria, sobretudo, aos alunos de Comunicação Social, foi, também, alvo de análise. A este respeito, a docente da Universidade Nova de Lisboa, Cristina Ponte, evidenciou a carência de códigos jornalísticos que referem as crianças.
Nesse campo, o presidente da direcção do sindicato dos jornalistas, Alfredo Maia deu destaque ao comprometimento do profissional de jornalismo para com a validade e triagem das informações, o código deontológico, a ética e a responsabilidade social. Como referiu, deve haver uma especial preocupação das organizações jornalísticas pela defesa dos direitos das crianças, nomeadamente, pela preservação do seu bem-estar, que passa, muitas das vezes, pelo sigilo da sua identidade.
De acordo com o mesmo jornalista, o sensacionalismo pode captar a atenção para problemas graves, mas negligencia a análise das causas sociais e económicas, nas quais assentam os abusos das crianças. Assim, “os jornalistas e as organizações mais mediáticas devem cobrir os acontecimentos em profundidade”, acrescenta.
Apesar de condenar a exploração excessiva das crianças pelos media, Alfredo Maia demonstra o mérito de muitos jornalistas em relatar abusos e negligências, relembrando que os seus homólogos devem esforçar-se por abster-se de qualquer imagem inútil, principalmente quando o menor aparece num contexto de conotação sexual.
O papel activo dos órgãos de comunicação ficou demonstrado na sessão que juntou vários profissionais de áreas distintas, mas que convergiam no tema “O Mau-Trato Infantil na Comunicação Social”. Desta forma, estiveram, também, presentes da Polícia Judiciária, Carlos Farinha, o Procurador-Geral da República, Francisco Maia Neto, o director do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da UM, Moisés Martins. e o psicólogo Eduardo Sá.

quinta-feira, maio 18

O “beat” de Boss AC ecoa no Gatódromo

Fotografia de Nuno Cerqueira


Após um aquecimento com os ritmos africanos de Melo D, subiu ao palco do Gatódromo Boss AC, para encerrar o quarto dia de concertos das Monumentais Festas do Enterro da Gata. Sempre ao ritmo do hip-hop o poeta urbano ofereceu ao público um concerto marcado pela intervenção mas também pelo hino ao amor.
Depois de ter passado por um grande número de semanas académicas foi a vez do Enterro da Gata receber Boss AC, um dos grandes nomes do hip-hop nacional. Com temas de grande sucesso como, “Hip-Hop (sou eu e és tu)”, “Baza Baza”, “Lena”, todos eles pertencentes a bandas sonoras de filmes ou telenovelas, o MC espalhou as “boas vibes” que tanto o identificam.
Ao mesmo tempo que o cantor actuava, passavam mensagens e vídeos reinvindicativos que foram prato forte neste concerto. Com a música “Farto de” Boss AC pôs toda a gente a gritar contra “Racismo, Guerra, Injustiça , Fome, Desemprego, Pobreza” e “Mentiras, Traiçao, Inveja, Cinismo, Maldade, Tristeza”.
Mas, o amor não ficou esquecido durante o concerto. Com “Princesa (Beija-me Outra Vez)”, um dos grandes sucessos do poeta urbano, e “A Carta Que Nunca te Escrevi”mostrou que o hip-hop também pode fazer grandes hinos ao amor e que não é apenas um estilo de música de cariz provocatório.
Com o sucesso do álbum de 2005 “Ritmos Amor e Palavras”, Boss AC tornou-se numa das maiores referências do hip-hop nacional. Com diversas parcerias com outros cantores e grupos portugueses, entre os quais Sam the Kid, Da Weasel e Gutto, este trabalho alcançou o disco de ouro no Verão de 2005. O rapper tem apostado num grande número de concertos, no qual estão incluídas algumas Queimas das Fitas e Semanas Académicas espalhadas por todo o país.

terça-feira, maio 16

“Sou um ser intergaláctico e acredito na energia universal”


(fotografia de Nuno Cerqueira)

Blasted Mechanism é uma banda que dispensa apresentações nos palcos minhotos. Conhecida pela maioria dos estudantes, a actuação deste grupo suis generis voltou novamente a agradar a multidão que os aplaudia sem cessar.
“Sou um ser intergaláctico e acredito na energia universal” é assim que Valdjiu, um dos membros fundadores, se auto-caracteriza. Tecendo uma crítica ao imperialismo americano, salientou o facto de a música que compõem, que mistura electrónica e tribalismo, ser indefinível e de estar em constante mutação.
Dentro dos seus fatos “Blastedeanos” o grupo, mais uma vez, primou pela originalidade, pela qualidade do concerto e pela forte presença em palco. “Blasted Empire” foi o tema de abertura da actuação que pôs, desde logo, o público em êxtase. No decorrer do espectáculo músicas como “Are You Ready”, “Walking on a Better Day” e “I Believe” foram cantadas pelos estudantes que saltavam ao ritmo destas. Blasted Mechanism puseram o público a gritar “Manipulation”, mas foi com “Sun Goes Down”, música do último disco do grupo “Avatara” e “Karkov”, um clássico do álbum “Plasma” que o concerto viveu os seus momentos mais intensos, levando a audiência ao rubro.
Desvendando um pouco da essência de “Blasted Mechanism”, Valdjiu salientou que o grupo se rege e se orienta “pela luz, pela verdade e pela intuição, acima de tudo”, acrescentou ainda que não se cingem a um público específico, ou seja, que atingem pessoas “dos 8 aos 88”, afirmando que “há avós que curtem”.
Quando questionado sobre as 15 mil cópias vendidas do último álbum, o guitarrista considera que, apesar disso, os melhores trabalhos são os que estão para vir, daí Março de 2007 ser a altura prevista e possível para o lançamento de um novo projecto que já se encontra na forja.

Sons enérgicos e contagiantes

Fotografia de Nuno Cerqueira


Com uma energia e sonoridade contangiantes, os Fonzie brindaram, na noite de domingo, o público das Monumentais Festas do Enterro da Gata com um espectáculo de grande qualidade, que primou pela humildade da banda e pelo respeito desta pela assistência.
Apesar de ter tido alguns problemas técnicos, no início do concerto, a banda portuguesa conseguiu pôr toda a gente a saltar e a vibrar ao som de temas do seu mais recente trabalho discográfico “Wake Up Call”. Os Fonzie agradeceram a paciência do público, pelos minutos de interregno, e a forma como este puxou sempre por eles, acabando por confessar que aquele era, sem dúvida, o melhor concerto deles, em termos de festividades académicas.
Com a música “Gotta Get Away”, popularizada na série “Morangos com Açúcar”, veio um dos momentos mais altos do concerto. A grande animação, que se fazia sentir no público que puxava pela banda punk, fez com que uma grande nuvem de pó subisse mesmo em frente ao palco.
Prestes a comemorar 10 anos de carreira os Fonzie, satisfeitos com o lugar que alcançaram no mercado musical vão assinalar esta data com o lançamento de um DVD, intitulado “Ten Yeras – Not Enough”. Um novo álbum está previsto para o início do próximo ano, em meados de Março ou Abril.

segunda-feira, maio 15

A noite brilhou “na sombra” de “The Rasmus”

A segunda noite de festividades foi preenchida pela presença eufórica de “The Rasmus”, que levou ao rubro, numa noite de luar, a massa estudantil minhota. Aquecido pela banda anterior “Fonzie”, o público não se mostrou reticente em voltar, novamente, a tirar o pé do chão. O entusiasmo foi tão grande quanto a nuvem de poeira que se gerou junto ao palco do gatódromo, por cima da cabeça de todos. “Espectacular”, gritava alguém na tentativa de se fazer ouvir, tendo sido abafado logo de seguida pelos gritos fanáticos da plateia.
Após terem dado por terminado o concerto, a banda finlandesa foi ovacionada pelos espectadores com um tão já conhecido “e quem bate palmas é do Minho”, retornando mais uma vez para junto dos que os aplaudiam entusiasticamente. O auge da actuação dos “The Rasmus” começou quando se fizeram ouvir os primeiros acordes do single “In the Shadows”. Os que conheciam a música cantaram, os que não conheciam, saltaram sem parar, memorizando o refrão instantaneamente, não vendo isso como um factor impeditivo de aproveitar bem a noite.
“É a primeira vez que tocamos para um público tão específico, ou seja, para estudantes. Sentimos que as pessoas estavam connosco, bem dentro da nossa música. Adoramos a experiência e com certeza havemos de cá voltar. Portugal é um país muito interessante”, refere o vocalista da banda, Lauri Johannes Ylönen.
A afluência de público ao recinto, não foi a esperada. Não se verificou a enchente que uma banda como “The Rasmus” era capaz de arrastar. Após o concerto, o gatódromo esvaziou e o público dispersou, no entanto, a boa disposição continuou até altas horas da madrugada com a animação proveniente das barraquinhas de curso.

domingo, maio 14

De olhos postos no público



O compasso lento da bateria e do piano, acompanhado pelo saxofone de Edgar Caramelo anunciaram Pedro Abrunhosa e os Bandemónio, no palco do Enterro da Gata 2006. O cantor, que em breve lançará um novo álbum de originais, encheu todo o recinto com sons bem conhecidos por todos. O tema “Viagens”, com o qual iniciou o concerto, deixou evidente a quantidade de seguidores da sua carreira ao longo dos anos. Doze anos após o lançamento do seu primeiro álbum, o público heterogéneo que Abrunhosa conseguiu cativar, cantarola do início ao fim muitos dos seus sucessos musicais.
Um público, igualmente, habituado às mensagens políticas e de intervenção com que Pedro Abrunhosa preenche os seus espectáculos, não se inibiu em gritar, a pedido do artista, a palavra "Caos". Um termo que, segundo o mesmo, caracteriza o estado político de Portugal. Em mais uma noite em que o artista português “deu tudo o que tinha para dar”, as palmas e as vozes dos presentes fizeram jus ao ânimo e dedicação dos músicos em palco. “Se eu voltar”, “Acima&Abaixo”, “Momento”, “É preciso ter calma”, “Tudo o que eu te dou” e “Lua” foram alguns dos temas que mostraram a personagem principal da noite: o público.
No final da actuação, Pedro Abrunhosa falou à imprensa, afirmando que, uma vez mais, a assistência bracarense se mostrou emotiva e merecedora de um repertório especial.
Numa noite em que os temas mais antigos fizeram as honras da casa, o cantautor português mencionou o lançamento de um novo álbum para breve, que se diferenciará, em termos de sonoridade.
Habituado a tomar posição no panorama político nacional, o cantor que lançou recentemente o DVD “Intimidades”, lembrou, também, a taxa de desemprego que se aproxima dos 8 por cento, a desertificação do Interior português, a pobreza nas periferias dos centros populacionais e, no âmbito da educação, o Processo de Bolonha, que classifica como mais um desinvestimento governamental.